O Charuto Trinidad Vigia é feito para caber na rotina de quem gosta de fumar bem, mas nem sempre tem uma hora e meia livre. O nome vem das antigas torres de vigia que ainda cercam o Valle de los Ingenios, na região de Trinidad, em Cuba, e basta pegá-lo para entender a referência: 110 mm de comprimento por cepo 54, curto, largo e denso, com um peso entre os dedos que nenhum outro Trinidad de linha regular oferece. A capa colorado claro, sedosa e de brilho contido, fecha no rabicho torcido que identifica a marca de longe e revela o trabalho manual antes mesmo do corte. É o Habano da varanda no fim da tarde, do café depois do almoço de domingo, da garrafa aberta depois do jantar ou daquela conquista que merece algo à altura, e que faz bonito no umidor de quem monta a própria seleção com critério, guardando peças de construção impecável para os momentos que valem a pena.
Depois da chama, o cepo generoso faz toda a diferença, porque um corpo mais largo admite mais folhas no miolo, e é dessa mistura ampla que vem a riqueza de aromas desde as primeiras baforadas. A tiragem é fácil e confortável, sem exigir força na puxada, a queima avança reta em temperatura mais baixa e a cinza clara se sustenta firme por um bom trecho antes de cair. No paladar, a força média abre com madeira e um frescor de eucalipto, ganha a doçura do mel no meio do percurso e fecha com couro, em intensidade que cresce até o último terço sem nunca ficar áspera. São cerca de 45 minutos de degustação, tempo que combina com um espresso curto, um single malt ou um vinho do Porto, e a construção sólida, sem pontos moles, garante uma sessão regular do início ao fim, sem surpresas nem retoques. Guardado em umidor a 65–70% de umidade, ele está sempre pronto para o momento em que você decidir acender.
Por que uma marca famosa por vitolas longas e esguias apostou no cepo mais largo da sua história? A resposta está no calendário: em 2012 a Trinidad tirou de linha o Robusto Extra e o Robusto T, dois formatos com público fiel, e a lacuna só foi fechada no XVI Festival del Habano, em 2014, quando o Vigia estreou com uma vitola criada para ele, a Torres, medida única dentro da Habanos S.A. Por trás do formato está a receita de sempre, com capa, capote e miolo de Vuelta Abajo, região com denominação de origem protegida, enrolados totalmente à mão em Pinar del Río, onde a marca é produzida. Para quem fuma, isso se traduz em um charuto que concentra em menos de uma hora tudo o que a casa tem de mais característico, sem cansar e sem pedir a agenda de um Churchill. É a porta de entrada mais segura para quem quer conhecer um Habano legítimo e o retorno certo para quem já conhece e quer repetir a experiência sem ocupar a noite inteira.
Características do Charuto Trinidad Vigia: